“He who makes a beast of himself gets ride of the pain of being a man”
Dr. Jonhson
Raios de sol cor de fogo acordam-me do meu leito de morte,cancões funebres entoadas por todos os pássaros anunciam a chegada da primavera,uma primavera diferente,uma primavera macabra e sem cor… Enquanto tento acordar,sinto o calor a invadir o meu quarto como se tivesse entrado no Inferno,levanto-me sereno e descontraido,abro a janela do meu quarto,e um cheiro alastra e penetra nas minhas narinas,um suave cheiro a podridão e decomposição,espreito pela janela do meu quarto e vejo o sol a lançar seus raios solares de uma maneira tão intensa como se quisesse pegar fogo à terra,animais mutilados brincam e festejam a chegada da primavera,não vejo seres humanos vivos,apenas cadáveres, de quais diversos animais se alimentam num festival grotesco. Visto-me de preto e escondo a minha cara. Preparo-me para sair e enfrentar aquele mundo horrivel e hediondo. Assim que saiu de casa sinto que algo estranho se passa,sinto-me bem e confortável naquele sórdido e repugnante mundo,chego à conclusão que o mundo perfeito assume as formas de quem o vê e não um conjunto de regras estipuladas. Passeio no meio da morte e pequenos animais andam ao meu lado como se tentassem proteger-me de algo… À minha frente um ser humano é apanhado por uma matilha de cães que o comem vivo e se festejam enquanto lhe arrancam pedaços de carne e lambem o seu sangue,esse ser humano enquanto é torturado solta gritos de angústia e sofrimento,e eu, sem querer, não consigo disfarçar um pequeno sorriso maquiavélico e sigo o meu caminho… A humanidade é devastada pela primavera. Enquanto ando apena vejo membros despedaçados e poças de sangue coagulado. O dia dá lugar à noite,o frio invade o meu corpo,sinto arrepios comos se 1000 espiritos me circulassem,é tempo de voltar a casa,faço o caminho inverso,criaturas nocturnas aparecem de todos os buracos e olham-me como se eu fosse mais uma presa,mas depressa se apercebem que eu não sou como os outros,sou diferente. Chego a casa satisfeito e cansado,e deito-me… Feliz… Desejoso que chegue o dia de amanhã,porque descobri que essa primavera negra não é apenas passageira,é mental e eterna como a morte. É a minha primavera,é o meu mundo,o meu consciente e subconsciente… Porque a beleza está nos olhos de quem a vê.